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id da página: 10649 Ser enquanto Ser

Ser enquanto Ser

ser
ONTOLOGIASER ENQUANTO SER

Filosofia Lusófona

Sérgio Fernandes: SER HUMANO

A ideia de "Ser enquanto Ser", ou de "Ser em si", tem sido identificada tradicionalmente, na Filosofia ocidental, sobretudo com três noções, todas elas dependentes, ainda que de maneiras obscuras e insidiosas, da noção incoerente (não que eu tenha a coerência em alta conta!) de "sujeito imutável da mudança" [sic]: são elas as noções de substância, essência e existência. Essas identificações, afirmo, constituem um tremendo equívoco, têm levado a metafísica a uma série de desastres e tenho dedicado boa parte de meus trabalhos filosóficos a remediar o que talvez seja irremediável. Se fizermos abstração do magistério universitário, pois tenho a impressão de que hoje em dia quase ninguém mais lhe dá ouvidos, além de meu estudo de Kant e Popper (Foundations of Objective Knowledge), remeto o leitor para Filosofia da Consciência, onde está minha primeira tentativa, digamos, mais decidida, de compreender essas artimanhas do pensamento que são as noções de "substância", em qualquer sentido, a de "essência", em quase todos os sentidos, e, sobretudo, a de "existência", que, além de desconstruída, deve ser objeto de uma reconstrução. Afinal, "aquilo que muda" ou "dura", ou o "sujeito do devir", só é o que é precisamente porque não muda, não devém, e, portanto, não "tem duração"! E ainda se quer que tais coisas "permaneçam idênticas a si mesmas ao longo do tempo ou do espaço" [sic], o que é simplesmente absurdo (na língua do Império, nonsense).

Como anunciei na Introdução, a Ontologia que adoto, já desde o livro de 1995 (Filosofia da Consciência), não é realmente do tipo tradicional. Na verdade, foge inteiramente da usual (desafio assim, de bom grado, os caçadores de precedentes!). O Ser, em minha concepção, não é substância, nem nos sentidos clássicos, nem nos sentidos modernos da palavra. (V. Filosofia da Consciência, Sec. 2.2: "A imitação do Ser chamada 'Substância'", e o instrutivo artigo de Puntel, 2001). Tampouco é essência (V. Filosofia da Consciência, Sec. 2.5: "A Imitação do Ser chamada 'Essência': o Erro de Husserl".) Distingue-se sobretudo de "existência", que defino como o estar projetado para fora do Ser, como Não-Ser.